Nasci com o meu umbigo.
Há pessoas que chegam ao pé de nós nos momentos exactos e nos dizem palavras pequenas que nos transformam por dentro. Essas pessoas são importantes. São aquelas que no leque colorido dos conhecimentos devem ser guardadas como as jóias insubstituíveis.
Não digo que estas pessoas sejam estimáveis por nos dizerem o que precisamos de ouvir. Mas porque gostam de nós o suficiente, para se terem dado ao trabalho de pensar no que sentimos, de se colocar no nosso lugar - e de a partir desse assento desconfortável - perceberem o que nos dói, o que nos inquieta, o que nos falta.
Acertar em cheio no coração do outro não é um exercício de erro e repetição. É um momento de esforço e de empatia. Regra geral fazemo-lo por quem gostamos. Regra geral, fá-lo por nós quem nos quer bem.
E como chegamos daqui aos umbiguistas?… Os umbiguistas são o cinza do leque. O seu umbigo é o centro do universo e nós “os outros” somos demasiado volumosos e pouco importantes, para caber em tão exígua depressão.
Os umbiguistas são aqueles que até podem dizer algo muito parecido com o que aquele nosso amigo verdadeiro de há pouco disse, mas di-lo-ão com muitas mais palavras e algo ali no meio não nos soará bem.
E mais importante ainda, não o dirão porque se preocupam connosco, mas somente porque acreditam que se de quando a quando notarem que existem outros seres vivos e forem tenuemente simpáticos para com eles, o mundo em geral não lhes fará o que eles fazem com os outros, ou seja, não lhes passará totalmente ao lado.
E, desta feita, não é umbiguista quem pode… é umbiguista quem quer. [Sob Penhora...]
Catarina Santos
Foto: Retirada de hirondelle.blogs.sapo.pt.
