Chá?…

Darjeeling

As cores e o desequilíbrio enchem-nos a alma quase tanto como o olhar de Jason Schwartzman, provavelmente, o mais talentoso neto de Francis Ford Coppola. A seu lado, Adrien Brody - que há uns anos atrás foi o mais jovem actor a receber um Oscar - e Owen Wilson, que tendo nos habituado aos seus papéis fáceis e entediantes de menino playboy, aqui nos desaponta com uma representação excepcional.

Entramos e sentamo-nos no comboio. A India começa a passar lá fora e a vida começa a passar cá dentro. De quando a quando encontram-se, colidem e, estranhamente, nunca se magoam - é o toque fairy tale puramente americano aqui a cereja no topo do bolo.

Deixar ou continuar?… Fincar os punhos cerrados ou deixar-me ir?… Ir até ao fim ou ficar por aqui?… Três personagens à procura de si. Três personagens cada uma delas o momento seguinte da que a antecede. Uma reacção em cadeia. E nós, com eles, à procura da precisa mesmíssima coisa. Este balanço… É o comboio que avança?… Ou somos nós? Deixemos o comboio… Avancemos…

O ar sente-se quente. O coração às vezes tropeça, outras vezes quase adormece. Brincamos com eles e com a sua tristeza. Porque a tristeza é uma coisa importante e, se repararem.. nós só brincamos com coisas realmente importantes - suaviza o seu peso dentro de nós.

Darjeeling. Um chá indiano. Óptimo. Um filme americano. Delicioso.

Catarina Santos

(Sociedade de Psicologia)

Foto: Retirada de www.mtv.com.

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