“Olha um blogue que parece um conjunto de ideias!”

Rodando

No outro dia perguntaram-me: “Achas mesmo importante saber se há alguém para escutar o que tens para dizer? É necessário um observador para haver valor numa obra?:-) Eu sou da opinião da raposa do Principezinho: é o tempo que dedicas a algo que torna essa coisa especial para ti.:-)“.

Será que quando um artesão faz uma roda em madeira ela só é uma roda depois de alguém chegar e dizer: “Olha uma roda!”? Ou será que é uma roda desde que ele a acabou, simplesmente porque se está feita, logo existe?…

Imaginemos que eu pegue nessa roda que outra pessoa fez, e que a cubra com um vidro, a entale entre dois sofás e lhe ponha um candeeiro em cima. Em breve alguém vai comentar… “Olha uma mesa que parece uma roda!”… e não “Olha uma roda que parece uma mesa!”.

De facto as coisas existem a partir do momento em que lhes dedicamos tempo e as realizamos, mas é o olhar dos outros que lhes atribui um significado e que determina o que é afinal aquilo que criámos.

Criamos a coisa em si, mas o que ela vai ser, o valor que vai ter, nunca poderá depender só de nós ou do que nós desejámos que essa coisa fosse. Aquilo que criamos acabará sempre por nos transcender.

Catarina Santos

Foto: Propriedade de New Mexico Furniture.

One Response

  1. Na forma com os blogues estão desenvolvidos, bem como a aderência que está a aumentar todos os dias, haverá sempre um alguém que o irá ver. Depois de um conteúdo estar num blogue, jamais sairá do espaço da Internet.

    Jamais Camões algum dia pensou que a sua obra alguma vez chegasse a ter milhões de cópias (até porque na altura nem havia como fazer copias:P), ou o Da Vinci sonharia que o Bill Gates iria dar uma fortuna pelos seus apontamentos, ou a quem escreveu a Bíblia jamais lhe passou pela cabeça que iria ser o livro mais vendido de todos os tempos e que iria estar traduzido em todas as línguas e que passado milhares de anos ainda se lê.

    Todos eles escreveram sem qualquer pretensão das suas obras serem o que são hoje, apenas escreveram porque tinham necessidade de partilhar e exteriorizar algo.

    A diferença é que antigamente apenas alguns tinham essa possibilidade e mesmo muito poucos tinham a possibilidade das suas obras sairem além fronteiras, hoje todos temos a possibilidade de exteriorizar, partilhar, enriquecer o mundo com o nosso conhecimento com uma velocidade de 1 segundo para estar no outro lado do mundo. Espantoso, não?

    E se temos essa possibilidade porque não a aproveitamos mais? E porque não fazemos mais obras e conteúdos de valor?

    Um escritor que muito aprecio dizia num livro “Depois de aprenderes algo de grande valor, tens de devolver ao mundo o teu conhecimento. Só assim o ciclo é perfeito, por isso deixa escrito tudo que possa contribuir para um mundo melhor”

    :)

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