A Sedução e a Solidão

A Sedução e a Solidão

A solidão é um dos fenómenos mais públicos e mais invasivos da nossa sociedade. É também uma das realidades mais escondidas e mais mal encaradas de sempre.

É moda não se dizer que se está só – ou melhor, fica mal dizer-se que nos sentimos sós. Quem se sente sozinho, tem de escolher um caminho outro que não falá-lo.

Falar de solidão é pouco sedutor. E quem não deseja seduzir?… Seducere. Do grego Se-Du–Cere… “Passar ao lado”. Passar ao lado?! Do que é que passamos ao lado para sermos sedutores ao olhos dos outros?

Se pensarmos, que se há um lado de nós bonito e aprazível, haverá sempre para o contrapor, um lado mais feio e desprazeroso… então devemos passar ao lado de pelo menos metade de nós.

E se passamos ao lado de “nós”, quase certamente, passamos também ao lado de algo igualmente importante: aquilo que verdadeiramente desejamos. A sedução é um desvio no caminho que fica entre o “nós” e o “nosso”.

Mas se calhar valerá a pena. Pormos o nosso rosto sedutor e sairmos para a rua preparados para sorrir para quem valha o esforço. Munidos de gargalhadas e exclamações vibrantes para distribuir pelos nossos amigos.

Se calhar vale a pena. O nosso lado desprazeroso e feio vai ficar lá em casa, de qualquer forma, à nossa espera. Tentaremos ficar a sós com ele o menor tempo possível. Some dance to remember, some dance to forget…* Escolhamos o nosso mote…

Há que falar a solidão? Quando nos sentimos sós. Calá-la é a melhor forma de a perpetuar. Esperar que os outros adivinhem, é arranjar uma má desculpa para poder dizer que ninguém quer saber.

NOTA: Diferente de tudo isto, é o desejo genuíno de se estar só connosco próprios amiúde. De nos sentirmos bem apenas na nossa companhia. Ouvir a nossa voz e não sentir a falta imediata de uma resposta. Aconchegarmo-nos sozinhos no sofá… pensarmos no que fizemos hoje e no que temos de fazer amanhã… e sorrir de nós para nós. Porque guardados cá dentro, estão todos aqueles que amamos e que nos amam, e naquele momento, não precisamos de mais nada para além disso…

Catarina Santos

(Sociedade de Psicologia)

*Eagles in Hotel Califórnia.

Foto: Retirada de sol.sapo.pt. Propriedade desconhecida.

One Response

  1. A maior das solidões, não é aquela quando se está sozinho… mas sim quando se está acompanhado….

    Ricardo - Dezembro 27, 2007 at 12:12 am

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