A nova lei do tabaco está aí.
Foi aprovada, e, dizem, irá ser aplicada.
Não vou questionar – apenas porque não merece a perda de tempo – quem a fez nem com que reais propósitos. Adiante!
Os cigarros são um hábito social, prejudicial à saúde sobretudo para os fumadores mas também para quem assiduamente aspira fumo em segunda mão. Se isto é verdade, também foi verdade que, desde que fumo – o que perfaz mais tempo na minha vida do que aquele em que não fumei – participei em almoços e jantares com outras pessoas, alguns fumadores e outros não, sendo que, não creio que tenha contribuído para nenhum cancro em nenhum não fumador.
De qualquer forma, estou de acordo que as pessoas que não fumam e que não gostam nem sequer do cheiro do tabaco, têm direito a espaços livres de fumo. Isto é tanto verdade como eu e os outros fumadores termos direito a espaços onde possamos fumar. É… exactamente igual!
Podem ostracisar-me mas não me podem ignorar. Nas questões de direito, se uns o têm os outros também terão de tê-lo.
Este é o primeiro e singelo passo na reivindicação dum direito que me assiste: fumar.
Ora se até se fala em salas de chuto…
Contra fundamentalismos fascizantes
eu fumo.
Porque é legal e me cobram impostos por o fazer,
eu fumo.
Pela prevalência da minha liberdade,
eu fumo.
Rui Barroso
Caro Rui: equiparar um direito de quem não prejudica a saúde dos outros com o seu direito em prejudicar é uma falha básica. Concordo que reivindique espaços para fumar, uma vez que o consumo é legal e até, em muitos aspectos (cada vez menos, é certo), estimulado. Mas não se pode comparar fumar com não fumar.
A mim incomoda-me estar num espaço público fechado e ter de respirar, cheirar, absorver o fumo dos outros. Assim como me incomoda os condutores em excesso de velocidade que não respeitam o meu direito a passar numa passadeira ou a andar no passeio em segurança. Como me incomodam algumas outras coisas que dizem respeito aos limites da liberdade de cada um, imprescindíveis para se viver em comunidade. Infelizmente, estes limites são cada vez mais imposições legais e menos códigos de conduta moral. Os códigos que antes eram assimilados por uma educação mais restritiva, limitadora do prazer imediato, são hoje postos de lado precisamente por essa incapacidade geral em diferir o prazer.